Festa das Almas

Anualmente, em Ocara – CE, acontece a Festa das Almas, criada na década de 1920 por moradores da cidade com o objetivo de arrecadar dinheiro para a construção do muro do cemitério local. Desde então, o acontecimento reune na cidade, durante as comemorações de finados, o sagrado e o profano, gente simples e humilde que no dia primeiro de novembro, quando a cidade celebra seus mortos, para lá se dirige, atraídos pela festa, num misto de fé e pendor pagão. Vaqueiros e agricultores, lavadeiras e donas de casa, todos fascinados: elas pelos vendedores e suas mercadorias, eles com a bebida e as prostitutas.  

No ensaio, uma interpretação deste ritual,  traduzido na idéia de que a alma não tem fim. Pelas lentes do fotógrafo vemos a leveza de alma do artista na relação com a alma atormentada dos viventes, que demonstram a necessidade de negar a finitude da vida. As imagens não evidenciam uma celebração aos mortos, mas realçam, pela luz, a dualidade e  a atmosfera de contraste entre: reunião e solidão, fé e sofrimento, sagrado e profano, realidade e ficcção.

São imagens simbólicas,  que falam da existência humana e da compreensão da finitude do homem, mas não da alma. Com ares de passagem, temos nestas fotografias  a celebração da imortalidade da alma em contraposição ao impacto da finitude do ser, por um conceito da transposição de um estado para outro.

texto e edição: Lucila Horn

fotos: Otávio Nogueira


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